Welcome!

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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011



Fui uma menina que acreditou em muitas coisas. Papai Noel, Homem do Saco, Coelhinho da Páscoa e outros tantos personagens. Mas eu gostava mesmo eram de histórias com finais felizes. Não tem jeito: a gente quer que a vida tenha um pouco mais de cor.

É natural que depois de um certo tempo as dúvidas comecem a aparecer. Será que o tal príncipe existe? Será que o final vai ser mesmo feliz? O que será, que será? Por favor, não me condene: a gente precisa estar com o coração preenchido para ser feliz. Agora você olha no fundo dos meus olhos castanhos e pergunta se eu acho que uma mulher precisa de um homem para ser feliz. Te respondo que uma mulher precisa de amor para ser inteira.
Amor pelo que faz. Amor pelo espelho. Amor pela família. Amor pelos amigos. Amor pelo bichinho de estimação. Amor pelo outro. Amor de volta. Porque dar amor é bom. Mas receber amor também é melhor ainda. Quem não gosta? Desculpa, mas meu coração não entende muito bem a solidão. Gosto de abraço de urso, beijo estalado, carinho no cabelo e sorriso bem largo, espaçoso, verdadeiro.
Uma mulher não precisa necessariamente de um homem para ser feliz. Mas ela precisa de amor para ser completa. Tem gente que vive bem cercado de bichos. Tem gente que vive bem cercado de livros. Tem gente que vive bem cercado de sapatos. Eu vivo bem cercada de amor. Antes, bem antes, eu vivia bem com minha família, meus amigos, minhas palavras, minha labrador preta, minha parede rosa. E faltava alguma coisa. Faltava alguém para dormir abraçadinho. Faltava um colo para sossegar a alma. Faltava alguém pra rir um riso intenso. Faltava alguém que completasse o que eu vou falar. Faltava alguém que soubesse que detesto pimentão. Faltava alguém que deixasse sempre um restinho de café na xícara. Faltava alguém pra reclamar que o ar-condicionado tá muito frio. Faltava alguém pra me dizer boa-noite-meu-amor. Sou romântica. E vou morrer assim. Hoje sou muito mais eu. Hoje descobri que sou muito mais feliz agora. Não que não fosse antes. Mas antes eu nem sabia o que era um sentimento de verdade.
Não aguento mulher que só fala em dieta, celebridade, roupa, dinheiro e mal de homem. O mundo é maior que um closet cheio de sapatos. Maior que a Dieta dos Pontos. Maior que o milhão de reais que a Joana Machado ganhou. Maior. Gosto das coisas de dentro. O que está por fora muda a cada estação. A essência, não. Muita gente não tem paciência de tentar. Fogem no primeiro problema. Desistem no primeiro empecilho. Esquecem da essência.
Se alguma coisa não deu certo pra você, não jogue a culpa no amor. Ele não tem nada a ver com isso. As coisas dão certo até onde têm que dar. Se parou de funcionar, se o amor morreu sufocado ou afogado, se não tem mais jeito, o negócio é viver o luto, curtir a fossa e cuidar da vida. Fazer aula de italiano, ler vários livros, assistir filmes, jogar charme para o vizinho do andar de cima. Sem ofender o amor e os apaixonados. Porque um dia você vai amar de novo. E, desculpa o meu lado bobo, mas um dia você vai amar de novo o amor da sua vida. Envelhecer junto. Andar de bengala na praça em um domingo ensolarado e dizer um-dia-eu-ri-da-cara-do-amor. (Clarissa Corrêa)

domingo, 25 de dezembro de 2011



“Lá está ela, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso. Sabe que tudo acontece como um jogo, se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa.
Acredito que essa moça, no fundo gosta dessas coisas. De se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. Ela não desiste e leva bóias. E se ela se afogar, se recupera.
Estranho e que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta. E quem não é?
A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas?
A moça…ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar.
Às vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera?
E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará.
A moça – que não era Capitu, mas também têm olhos de ressaca – levanta e segue em frente.
Não por ser forte, e sim pelo contrário… Por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.” [Caio F.]


“Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se fosse nada.”
Caio F.